| Where the Wild Things Are - O Sítio das Coisas Selvagens |
| Quinta, 07 Janeiro 2010 11:50 | ||||||
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À medida que o mundo de fantasia se desenvolve, as coisas aproximam-se da realidade.
Max (Max Records) é um miúdo de nove anos igual a qualquer outra criança - igual a qualquer um de nós naquela idade. É capaz dos momentos mais delicados e dos maiores acessos de revolta. O olhar “dos mais velhos” ainda lhe é estranho. E ele sonha. E tudo isto à medida que a inocência se vai perdendo.
O filme começa na vida real. Temos Max e o seu fato de animal. Max e os amigos da irmã. Max e a mãe.
Ele, com nove anos, ainda se sente o centro do mundo, ainda egoísta, a lidar com a sensação de que nem tudo gira à sua volta. Cria as suas defesas na imaginação porque crescer pode ser doloroso. E é nesse ponto que somos lançados para o imaginário d'O Sítio das Coisas Selvagens.
Aqui, neste estranho mundo (um trabalho visualmente fantástico), as personagens são grandes, parecem autênticos bonecos de peluche, e têm um aspecto enternecedor. Ao mesmo tempo parecem-nos bizarras, até confrangedoras, como sentimentos que num primeiro instante não conseguimos identificar. E são também assustadoras. Max imagina estes bichos e o que eles sentem é também um reflexo do próprio rapaz.
O Sítio das Coisas Selvagens é assim: um filme verdadeiramente incomum, um objecto raro que não será para todas as crianças (nem para todos os adultos).
Spike Jonze não foi condescendente e é por isso que o filme poderá assustar nalguns momentos os mais novos. É até natural que isso aconteça, porque há aqui uma sensação de mistério e até de aprendizagem. Como se fosse a própria fantasia a ajudar a compreender a realidade. É bonito, estranho, triste e poderoso. E tudo isso cabe na tela sem vergonha. E chega-nos com uma força e uma imagética tão próprias.
Este pequeno conto de Maurice Sendak faz parte do imaginário norte-americano. Já antes haviam tentado convencer Sendak a ceder os direitos da sua história. Sendak disse que não. Até que chegou a vez de Spike Jonze. E contra o preconceito que possa haver sobre realizadores que vêm do mundo dos videoclips até à 7ª Arte, Jonze é a prova de que o talento fala (quase sempre) mais alto.
Um dos mais visionários realizadores de videoclips dos últimos 20 anos é também um dos mais incomuns realizadores do cinema americano. O Sítio das Coisas Selvagens é reflexo de tudo isso: talento, mistério e imaginação. E ao som de Karen O., uma das princesas do rock revival nova-iorquino, então a experiência chega a outro nível, porque esta banda-sonora não é apenas perfeita para o filme, é uma autêntica obra de arte escondida, quase perdida, por entre aquele mundo orgânico.
Goste-se ou não, poucos filmes nos virão à memória que se assemelhem a este O Sítio das Coisas Selvagens. Se não fosse por tudo o resto, então esse simples pormenor já era razão para darmos ao filme a merecida atenção.
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