Nine - Nove
Sexta, 15 Janeiro 2010 17:38
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Guido e as mulheres.

 

 

Guido (Daniel Day Lewis) vai começar o seu nono filme. Realizador consagrado, quase ninguém se apercebe de que não escreveu uma única linha do guião. Não tem história mas a produção está em andamento. Tem toda a pressão do mundo nos ombros mas parece mais preocupado com as mulheres da sua vida.

 

O plano de Rob Marshall não era mau de todo. O realizador levou Chicago para o grande ecrã e a Academia adorou a ideia de tal maneira que lhe atribuiu 5 Óscares. Nine, a peça da Broadway, foi também premiada. Junte-se o argumento do falecido Anthony Mingella e um dos mais impressionantes elencos que temos visto em anos recentes e o resultado era simples: expectativas muito elevadas.

O simples número absurdo de oscarizados por metro quadrado já era razão suficiente para tal. Mas a ideia, que o próprio realizador esclareceu que teria muito de Fellini (, em particular), acaba por desiludir. Sim, em parte deve-se às expectativas invulgarmente elevadas. Mas a verdade é que este Nove, apesar de grandes momentos, é acima de tudo incoerente.

 

Nos dias que correm, o musical é, para muitos, um estilo mal amado – longe vão os tempos das composições de Leonard Bernstein, quando West Side Story foi adaptado ao grande ecrã. O cinema de Fellini não será também conhecido da maioria do público – quando Nine chegou à Broadway, 1982, a associação talvez fosse mais natural. Talvez seja um efeito colateral da “moda do remake” que assolou Hollywood, mas esta “reciclagem” de Fellini é pouco profunda, um pouco ao estilo dos estereótipos sobre italianos que pululam no filme.

 

E há inconsistência na forma fragmentada como a história se desenvolve. As mulheres chegam e apresentam-se: a esposa, a amante, a mãe, a musa…. Cada uma canta a sua música, enquadra-se na vida do realizador e desaparece de cena. A ideia é ter Guido sempre como figura central, sempre rodeado de mulheres, mas acima de tudo rodeado de si próprio, refém de dúvidas, receios, impulsos e um terrível vazio de ideias. No entanto vai-se perdendo o fio condutor.

 

Mas o grande problema é que Nove carece de Fellini, carece de Chicago e carece da capacidade para combinar os dois mundos. Chicago não era brilhante mas era um musical bem conseguido. E a música neste aspecto ajudou bastante. Em Nove, dificilmente as músicas conseguirão captar atenção além da tela.

 

Será Nove uma completa perda de tempo? Apesar de tudo, não. Daniel Day Lewis continua a ser Daniel Day Lewis. Judi Dench e Sophia Lauren continuam a esbanjar classe. Nicole Kidman cumpre – apesar de ter uma personagem tão pouco desenvolvida. Penélope Cruz é a sensualidade em pessoa (nota do crítico: atenção à dança da actriz espanhola). Até Kate Hudson aparece aqui um bocadinho acima da banalidade a que nos habituou - longe vão também os tempos de Quase Famosos (2000). E há Marion Cotillard, a mulher de Guido, a quem é reservada a melhor cena do filme (a par da cena em torno da infância de Guido).

 

No final, percebemos que o melhor estava lá desde o início. E que o elenco foi a bengala de Rob Marshall.

 

 

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total : 3
      Segunda, 18 Janeiro 2010 16:09 - vânia
é uma pena. ainda não vi o filme mas tinha algumas expectativas devido ao elenco envolvido...
      Segunda, 18 Janeiro 2010 14:01 - Pedro Filipe Pina
Filipa,

Erro da minha parte, o nome correcto era mesmo Kate Hudson (correcção entretanto feita). Obrigado pelo aviso. O momento alto de Hudson no filme é a canção Cinema Italiano.
      Segunda, 18 Janeiro 2010 12:46 - Filipa Santos
Concordo com a crítica... É um filme de "aluguer", que facilmente se esquece. Apenas uma pergunta ao crítico, com um olho mais apurado que o meu concerteza, quando é que aparece a Lindsay Lohan? De tão esquecivel que é o filme, o papel dela então nem se comenta...

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