| Looking for Eric – O Meu Amigo Eric |
| Quinta, 11 Fevereiro 2010 15:14 | ||||||
Cantona, um manual de auto-ajuda.
Na última edição de Cannes tínhamos alguns dos pesos-pesados (e até habitués de Cannes) no cinema actual. Entre os filmes de Trier, Haneke, Audiard ou Tarantino, encontrava-se a concurso esta obra de Ken Loach. Dificilmente poderia ganhar em Cannes, mas atrevemo-nos a dizer que a carreira de Ken Loach e o facto de haver o omnipresente Cantona, foi razão suficiente para estar a concurso.
E assim temos este Looking For Eric, ou O Meu Amigo Eric, como preferirem (que para traduções de títulos já vimos muito pior), uma história em torno de um carteiro de Manchester (Steve Evets), que também se chama Eric e que atravessa uma fase complicada de vida.
Deixou o amor da sua vida quando era novo e arrependeu-se. E agora tem dois rapazes adolescentes a seu cargo, fruto de outra relação. Nada na sua vida pessoal parece simples. Mas tem os amigos, tem o seu clube de sempre, o Manchester United, e, mais importante ainda, tem Cantona – que lhe surge, por sugestão de um livro de auto-ajuda, num misto de sonho acordado ou simples alucinação psicotrópica. Pouco importa
Cantona, o enfant terrible do futebol francês, foi excepcional em tudo. Um jogador ímpar, no estilo, na eficácia e na postura. Herói em Manchester, ficou famoso não só pelos golos mas também por quem era fora de campo – e, claro, pelo dia em que mostrou o seu karaté, num salto que o levou do terreno de jogo até ao peito de um adepto que o insultou. Suspenso, voltou e provou que ainda sabia jogar. E o curioso é termos este Cantona, agora reformado do futebol, a reviver um pouco da sua carreira ao mesmo tempo que serve de amigo imaginário ao tal carteiro.
Ken Loach e o argumentista Paul Laverty conseguem dar sentido de humor ao filme, sem deixar de nos levar para momentos dramáticos. Há um pai que tenta recuperar laços com os filhos e o seu antigo amor, há gangsters e intimidações, há futebol (inclusive muitas imagens de golos de Cantona) e há uma quantidade razoável de fanáticos do futebol, homens simples no seu dia a dia, mas que se agigantam quando alguma coisa de relevante acontece: o Manchester United joga ou um amigo precisa de ajuda.
Ken Loach não se fica por uma comédia banal, mas não deixamos de sentir que o filme é descomprometido, no melhor dos sentidos. E não deixa de ter a sua graça ver o internacional francês deixar o seu ar severo de lado e mostrar-se, no papel de si mesmo, como alguém tão sentimental.
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