Marquem-no já na lista de coisas para fazer.
Que o cinema de entretenimento não tem de ser oco, já o sabíamos. Christopher Nolan está aqui para provar que espectáculo e inteligência podem combinar na perfeição. É um blockbuster, é Verão e a silly season está aí. E desta vez não há nada de errado nisso.
No centro de Inception está um caso de espionagem empresarial. À margem, uma estranha e trágica história de amor. A ligar tudo isto: sonhos. Cobb (Leonardo DiCaprio), um homem a quem os sonhos – literalmente – destruíram a vida, é o líder da equipa de topo que está a ser montada. Na tentativa de recuperar o que resta do seu passado, aceita a missão mais difícil da sua vida: implantar uma ideia na mente de outra pessoa.
O espectador vai balançando entre a realidade e os sonhos. E a dada altura entre sonhos e sonhos mais profundos. O caminho é labiríntico, sempre complexo, sem nunca perder ritmo de acção. Nolan vai tendo o cuidado de nos ir explicando, com pequenos pormenores, o que está a acontecer – como as diferentes noções de tempo consoante os sonhos. Mas a experiência, confusa que possa ser em certos momentos, não deixa de ser intensa.
Meticuloso a todos os níveis, Nolan volta a mostrar que usa a montagem como poucos. Mostra também que é capaz de se repetir (há aqui qualquer coisa de Memento e, especialmente, d’O Cavaleiro das Trevas), trazendo sempre novidade. Mistura-se o thriller, o mistério, o drama e até a ficção-científica e o resultado é uma ambiciosa dinâmica entre géneros, suportada num brilhantismo técnico.
No final poderão ainda restar-nos um par de dúvidas e a curiosidade de voltar a experimentar o filme, sabendo o que já vai acontecer. A solução é simples: recuperar o fôlego e voltar a entrar. Esta montanha-russa parece incapaz de abrandar.

Escrito por Pedro Filipe Pina
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