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Joey, o cavalo desta história, é um animal belíssimo mas aparentemente uma má escolha para a lavoura. Serve isto para nos lembrar que não desistir pode dar frutos. É o que acontece com Albert (Jeremy Irvine), o rapaz que adopta este cavalo e que decide ensiná-lo. Depois desta espécie de prólogo, a inevitabilidade da guerra vai buscar homens e cavalos à zona rural britânica onde esta história começa. Albert, ainda novo, fica em casa e vê Joey partir para um caos que ninguém lhe saberia explicar.
A Primeira Guerra Mundial foi absolutamente devastadora, em termos da dimensão de países envolvidos e das vidas que levou. Foi também o último conflito militar a contar com tantos cavalos envolvidos no esforço de guerra – um esforço humano, como convém lembrar. Percebe-se assim o que Steven Spielberg faz aqui e o que levou a apaixonar-se por esta história. Joey, este cavalo, acaba por servir de elo de ligação entre seres humanos. É isso que vamos vendo à medida que o animal vai sobrevivendo à guerra, fascinando pelo caminho todo o género de personagens. É essencialmente isto o que se passa: um animal que é mais humano do que muitos de nós. Algo não muito diferente de um certo E.T..
À procura de emoções
Spielberg é, a par de James Cameron, a figura que em Hollywood percebe melhor esta relação entre um cinema que é de espectáculo (orçamentos elevados, efeitos especiais, cenários imensos), mas que não descura a dose humana, esse contacto com o real. Ora o que Spielberg faz aqui com este filme “para a família”, disfarçado de melodrama épico, é precisamente procurar essa empatia, corporizada naquele animal, para assim captivar uma imensa plateia. E, a bem da verdade, convém dizer que mais uma vez o consegue.
O que falha então neste Cavalo de Guerra? Provavelmente um misto entre a falta de profundidade, culpa de personagens estereotipadas e um tratamento da guerra suave, quase infantil, e um excesso de sentimentalismo. Isto não é necessariamente grave, no sentido em que, no geral, Cavalo de Guerra é até um filme equilibrado, com um par de cenas muito bem conseguidas.
Mas Spielberg exagera nas referências a outros filmes (o final tem sido comparado, e com razão, a E Tudo o Vento Levou) e falha acima de todo na originalidade. Para um realizador que tratou diferentes facetas da guerra com outro fulgor (A Lista de Schindler; O Resgate do Soldado Ryan), fica a sensação de que o cineasta se ficou pelo “certinho”. Cavalo de Guerra não é mau, mas será apenas mais um filme a figurar na carreira de um realizador que já deu provas, uma e outra vez, de que é capaz de melhor.
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